A inteligência artificial deixou de ser uma promessa futurista ou uma simples ferramenta de suporte para assumir o protagonismo no consumo brasileiro. Mais do que auxiliar pesquisas, a tecnologia reorganizou a forma como as pessoas descobrem, comparam e decidem o que comprar.
Esse panorama foi o ponto de partida da palestra de Raphael Rotta, head de Marketing da Stefanini, no painel "A Nova Lógica de Compra: Como a IA reorganizou a decisão de compra e passou a definir quais marcas entram na resposta". durante a Semana Caldeira. As reflexões foram apoiadas por um estudo conjunto desenvolvido pelas empresas da Stefanini Marketing (Gauge, w3 e Ecglobal).
A busca tradicional perde espaço para o diálogo com a IA
Os dados do levantamento revelam um hábito que já se consolida no dia a dia do consumidor conectado:
9 em cada 10 brasileiros com acesso à internet já usaram IA;
70% dos consumidores utilizam a tecnologia diretamente como suporte para decisões de compra;
90% das pessoas afirmam que a experiência de consumo melhorou com o uso da IA, destacando ganhos em agilidade, comparação direta de produtos e clareza das informações.
Na prática, os motores de busca tradicionais começam a dar espaço para a conveniência dos assistentes virtuais. Segundo a pesquisa, 55% dos consumidores decidem a compra mais rápido quando utilizam IA, e 9 em cada 10 acham mais fácil encontrar o produto ideal por meio dessas ferramentas do que nos buscadores convencionais.
“A disputa pela atenção do cliente migrou: a nova batalha das marcas acontece dentro da caixa de resposta dos modelos de inteligência artificial”, afirma o head de Marketing da Stefanini.
O que faz uma marca ser recomendada pela IA?
Como as plataformas decidem quais empresas mencionar ao usuário? Segundo Rotta, o algoritmo não escolhe ao acaso. A presença nas respostas depende de uma combinação de fatores estruturais:
Conteúdo especializado e bem indexado;
Reputação digital sólida;
Avaliações genuínas de outros consumidores;
Presença ativa em fontes confiáveis validadas pela rede.
Agilidade com filtro de segurança: a confiança ainda manda no jogo
Embora a IA agilize a escolha, o consumidor brasileiro não abre mão da validação e da segurança antes de fechar o pedido. O estudo indica que a tecnologia acelera a jornada, mas não elimina o senso crítico: 68% dos usuários ainda checam as recomendações da IA em outras fontes antes de fechar o pedido. Além disso, 55% já desistiram de uma compra por desconfiarem da resposta gerada pela ferramenta.
A lição trazida pela Stefanini Marketing é clara: entender o funcionamento dos algoritmos é apenas metade do trabalho. Para continuar relevante na nova jornada de consumo, as marcas precisam manter uma reputação impecável e gerar conteúdo relevante o suficiente para virar fonte oficial para as plataformas de inteligência artificial.