Friday, 9 de October de 2026

Memes, humor e marcas: as lições de Yuri Zero na Semana Caldeira

Na Semana Caldeira 2026, Yuri Zero mostrou por que humor, memes e uma boa dose de escuta podem aproximar empresas do público
Memes, humor e marcas: as lições de Yuri Zero na Semana Caldeira

Você está navegando pelas redes quando aparece uma marca tentando vender alguma coisa. É bem provável que passe direto. Agora, se ela fala de uma situação que você já viveu e te fizer rir, a chance de parar, comentar ou mandar para alguém é outra. Foi a partir dessa diferença que Yuri Zero, CEO da Melted, conduziu a palestra “Marcas, Humor e a internet: como construir marcas fortes e queridas”, na Semana Caldeira 2026. Sua provocação para as empresas é simples: em vez de interromper o que as pessoas estão fazendo, como a marca pode fazer parte das conversas delas? As dicas que ele compartilhou passam por cultura, comunidades, memes e humor, confira a seguir:

Aparecer não é o mesmo que fazer parte 
Muitas marcas investem para estar em todos os lugares, mas acabam surgindo como uma interrupção na rotina do consumidor. Estão presentes, porém não têm ligação com o que o usuário busca no dia a dia. Para mudar isso, Yuri chama atenção para o encontro entre cultura, entretenimento e comunidades. O que seu público acompanha? Sobre o que conversa? Que situações reconhece de imediato? Antes de planejar mais uma publicação, vale olhar para essas perguntas. Fazer parte da rotina das pessoas começa por entender o que já ocupa espaço nela e encontrar um jeito de contribuir naturalmente.

O meme diz muito sobre quem compartilha
Um meme consegue resumir em segundos algo que levaria vários parágrafos para explicar. Como observou Yuri, ele traduz realidades complexas de um jeito simples, muitas vezes com uma imagem e uma frase que fazem alguém pensar: “acontece comigo também”.

Imagem Grupo RBS

A oportunidade para as empresas vai além de repostar o meme da semana. O interessante é perceber por que ele circula. Que experiência compartilhada está por trás daquela piada? O que ela revela sobre o jeito de pensar de uma comunidade? Quando a marca entende essas referências, fica mais fácil criar algo com a própria voz, sem parecer que chegou atrasada tentando entrar na brincadeira.

Humor ajuda a criar conexão e a circular
O humor tem uma vantagem para as marcas: aproxima pessoas por meio de situações que elas reconhecem e têm vontade de compartilhar. Não à toa, entre os dados apresentados por Yuri na palestra, 75% das pessoas disseram que seguiriam uma marca engraçada nas redes sociais. Isso sugere que fazer alguém rir pode ser um convite para continuar acompanhando a marca, e não apenas uma forma de chamar atenção por alguns segundos.

Essa abertura também pode fazer diferença fora das redes: segundo outro dado citado na apresentação, 69% abririam um e-mail se o assunto fosse mais engraçado. Para uma empresa, é uma pista de que o humor pode tornar a comunicação mais convidativa, inclusive em canais onde conquistar a atenção costuma ser difícil. Mas a ideia não é transformar toda mensagem em piada. O humor funciona melhor quando parte de uma experiência que o público conhece e segue o cuidado reforçado por Yuri: rir com as pessoas, não delas. Se alguém for alvo da brincadeira, a própria marca pode ser uma escolha melhor.

A dor do cliente pode render uma boa história
À primeira vista, gestão de projetos não parece um assunto divertido. Ainda assim, como mostrou o exemplo da ClickUp citado na palestra, dá para falar desse universo sem fazer piada sobre funcionalidades de um software. Uma reunião que poderia ter sido um e-mail, por exemplo, é uma situação que muita gente conhece.

Imagem Grupo RBS

Essa mudança de foco serve para diferentes negócios. Em vez de começar pelo produto, a empresa pode olhar para os pequenos incômodos, hábitos e desafios de quem o usa. Ali estão histórias com as quais o público pode se identificar. O cuidado é fazer com que a pessoa se sinta compreendida, e não exposta.

Seu mercado também tem seus próprios clichês
Toda categoria tem frases que se repetem, imagens parecidas e um jeito quase automático de falar de si mesma. Depois de um tempo, tudo soa igual. Yuri sugeriu olhar para esses clichês como material para criar algo diferente. Os exemplos da palestra mostram que essa possibilidade não depende de vender um produto “divertido”. Yuri mencionou Duolingo, Ryanair, ClickUp, CeraVe e Liquid Death: marcas de educação, aviação, software, cuidados com a pele e até água que encontraram espaço para explorar o humor.

Uma boa piada não constrói uma marca sozinha
Um conteúdo engraçado pode render compartilhamentos. Mas, se a marca só volta a falar daquele jeito meses depois, dificilmente o público vai reconhecer ali uma personalidade. Yuri foi direto nesse ponto: uma piada por trimestre não forma um território de comunicação; é um acidente. Se o humor fizer sentido para o negócio, precisa entrar em uma estratégia de longo prazo. Isso envolve escolher assuntos próximos do público, desenvolver um tom que a marca consiga sustentar e repetir essa linguagem com consistência. O objetivo não é contar a mesma piada sempre, mas criar familiaridade ao longo do tempo.

Na internet, o tempo da resposta importa
Uma conversa pode tomar conta das redes hoje e perder força amanhã. Por isso, empresas que querem participar desses momentos precisam conseguir reagir. Uma longa cadeia de aprovações pode deixar a melhor ideia pronta quando o assunto já passou.

No fim, a mensagem da palestra não é que toda empresa precise virar uma página de memes. É que marcas têm mais chances de ser lembradas quando prestam atenção nas pessoas: nas conversas que já acontecem, nas dores que elas dividem e nas coisas que as fazem rir. É dessa escuta, traduzida em conteúdo com personalidade e constância, que pode nascer uma presença mais querida e menos parecida com mais uma interrupção no feed.

Por Cristine Santos
Mercadóloga e Assistente de Comunicação e Growth

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