O crescimento do iFood nos últimos anos é evidente, mas durante a Semana Caldeira, o CEO da companhia, Diego Barreto, escolheu olhar para o que sustentou essa expansão por trás dos panos: uma cultura organizacional desenhada para errar rápido, aprender no caminho e se adaptar ao mercado em tempo real.
Para Barreto, o maior gargalo das empresas tradicionais não é a falta de tecnologia, mas a insistência no pensamento linear, a armadilha de projetar os próximos passos pautado apenas nos resultados do passado. Em um cenário impulsionado pelo avanço acelerado da inteligência artificial e mudanças profundas de comportamento, prever o futuro pelo retrovisor limita drasticamente o potencial das organizações.
A resposta do iFood para fugir dessa lógica passa por descentralizar o processo criativo. Na prática, a inovação não é responsabilidade de um time isolado ou de uma sala com pufes coloridos. "No iFood, não existe centro de inovação. Inovação faz parte da nossa cultura", afirma o CEO da empresa.
Experimentação rápida e foco no "efeito Uau"
A mecânica de gestão do iFood prioriza protótipos de baixo custo e validação ágil de hipóteses. Em vez de longos meses de planejamento para lançar algo de grande porte, os times testam ideias rapidamente em pequena escala. O objetivo inicial é validar se a solução gera um real "efeito Uau" para o cliente. Comprovado o valor? Só depois disso é que se discute a escala do projeto.
Outro ponto destacado por Barreto é o pensamento ecossistêmico. Isso significa romper com os conhecidos silos corporativos: orçamentos e talentos não ficam represados em departamentos específicos, mas são direcionados de forma flexível para as iniciativas que demonstram maior potencial de impacto cross-company.
Eficiência sem perder a capacidade de reinvenção
O executivo também alertou para a necessidade de equilibrar a eficiência da operação atual com a constante busca por reinvenção. Para o iFood, entregas expressivas no presente não são garantia de relevância no futuro.
A principal mensagem deixada no painel reforça que, no ambiente de negócios atual, a vantagem competitiva mais sustentável não é o código ou a ferramenta em si, mas a capacidade de construir uma organização treinada para operar na incerteza, mantendo o apetite para testar o novo sem perder a excelência na execução.