Wednesday, 3 de June de 2026

Conteúdos verticais: vídeos curtos para redes sociais são poderosas ferramentas de marca

Produção e consumo no formato têm impactado diretamente a maneira de se comunicar no ambiente digital
Conteúdos verticais: vídeos curtos para redes sociais são poderosas ferramentas de marca

A verticalização do conteúdo na internet está relacionada à produção de vídeos na proporção 9:16, de curta duração, com mensagens de absorção rápida e forte potencial de doomscrolling (ou rolagem infinita) especificamente para as redes sociais. O formato ainda é dedicado a ser assistido em tela cheia na posição natural de uso dos smartphones, o que torna o consumo mais orgânico e imersivo. Mais do que o consumo, a orientação também otimiza a produção de conteúdo. Em especial, porque exclui a necessidade de equipamentos profissionais e pós-produção complexa. Para assistir ou gravar, basta ter um dispositivo móvel. Essa facilidade, somada à ascensão de plataformas como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, transformaram de maneira irreversível a forma de comunicar e transmitir informação na internet.

O levantamento Painel integridade da Informação, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostrou que sete entre 10 pessoas (72%) acessam informações pelas redes sociais diariamente – 53% por meio de vídeos curtos. Isso mostra como o formato passou de simples entretenimento para um modelo de comunicação digital relevante.

Consolidação do 9:16
Com as redes sociais, os vídeos verticais perderam o status de amador e conquistaram espaço e reputação. Não é à toa que o formato passou a ser adotado também em sites profissionais, no varejo digital (e-commerces e marketplaces) e até mesmo no jornalismo. O relatório Digital 2025: Brazil, do DataReportal, destaca o TikTok como a plataforma para a qual os usuários mais dedicam tempo mensalmente – dado que atesta o gosto do público brasileiro pelo formato vertical. Ao todo, as pessoas passam, em média, 28 horas por mês rolando o feed infinito do aplicativo.

Segundo a Meta, 60% do tempo passado no Facebook e no Instagram é assistindo a vídeos. Já de acordo com o YouTube, o Shorts cresceu 186% em 2025. No período, os conteúdos verticais publicados na plataforma acumularam, em média, 200 bilhões de visualizações diárias.

A era das novelinhas
Os microdramas são uma nova tendência do mercado audiovisual. Nascida na China, protagonizou faturamento de US$ 7 bilhões em 2024 e tem projeção de alcançar US$ 9,5 bilhões até 2030, de acordo com a Media Partners Asia. Feitos para consumo no celular, são histórias com episódios curtos (de um a quatro minutos), filmadas na vertical e com roteiros dramáticos e intensos, que adaptam a linguagem da teledramaturgia ao ritmo das redes sociais.

O formato deu tão certo que, em 2025, o Globoplay lançou sua primeira novela vertical. “Tudo Por Uma Segunda Chance” tem 50 capítulos, disponibilizados nas redes sociais da TV Globo e no catálogo do serviço de streaming em forma de feed. De acordo com a emissora, a produção somou mais de 251 milhões de visualizações, 8,3 milhões de interações e mais de 30 mil menções espontâneas na internet.

Oportunidades para marcas
O Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 98,8% dos brasileiros acessam a internet através do celular, consolidando o dispositivo como a principal tela de consumo digital no país. A plataforma de monitoramento revela, ainda, que 88,5% dos acessos são voltados para o consumo de vídeos. Tal panorama por si só prova que o formato tornou-se indispensável às marcas que desejam construir presença na internet. Para reforçar o potencial, o Instagram afirma que anúncios em vídeo na proporção 9:16 (com áudio e informações dentro da zona de segurança) reduzem em 34% o Custo Por Ação (CPA) em comparação com anúncios em imagem e em 15% em relação a vídeos em outros formatos.

Ao eliminar distrações e aumentar a imersão do usuário, os conteúdos verticais favorecem a retenção. Afinal, eles influenciam o tempo de visualização e engajamento, inspirando interações mais profundas entre consumidor e marca. Dados da Socialinsider, por exemplo, mostram que Reels geram 45% mais comentários do que carrosséis de fotos e quase o dobro que publicações estáticas.

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